7 verdades sobre a amamentação 

Por mais natural que pareça, a amamentação está em debate no Brasil desde que os portugueses chegaram e deram seus filhos para as índias amamentarem. Ao longo dos séculos, o leite materno passou de melhor fonte de nutrição para uma opção-nem-tão-boa-assim para os bebês. No fim das contas, amamentação é ou não é uma boa opção? 

Para continuar o debate, trazemos aqui alguns pontos para que você, leitor ou leitora, entenda que a amamentação é muito mais que uma alimentação.

7 verdades sobre a amamentação 

1. O leite materno é considerado a melhor fonte de nutrição para o bebê  

Sim. O corpo feminino é capaz de prover um alimento completo o suficiente para ser único e exclusivo por meses. Os seus nutrientes fornecem vantagens imunológicas, protegendo contra infecções e alergia, psicológicas e ajudam a desenvolver os músculos da mastigação, intensificando o desenvolvimento saudável da criança.  

 

2. A amamentação estimula o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê 

E esse vínculo é químico. A ocitocina, hormônio do amor, é liberada durante a amamentação produzindo uma sensação de paz, amor e carinho nos dois.  
 

3. A mãe também tem vários benefícios na saúde quando amamenta a criança 

A amamentação faz o útero voltar mais rápido ao normal, diminui os riscos de câncer de mama e ovário, reduz os riscos de diabetes tipo II após a gravidez, diminui o sangramento da mãe após o parto e, também, reduz a depressão pós-parto.  

 

4. Acessórios vendidos como “auxiliares” trazem riscos para o bebê 

Mamadeira, chupeta e protetor de mamilo podem favorecer a contaminação do leite provocando doenças, causando confusão de bicos, podem ocasionar mordida aberta e prejudicar a fala e a respiração, fazendo com que o bebê respire pela boca.  
 

5. A amamentação já foi usada para manter a mulher sob controle 

Estamos falando do século 19 ou de 2019? No século 19, médicos higienistas reduziram a mulher a um mamífero, deixando com ela toda e qualquer responsabilidade sobre a saúde de sua “cria” e tirando dela seu poder de escolha sobre a amamentação. Apesar dos anos terem passado, ainda vemos essa imposição culturalmente na nossa sociedade, o que muitas vezes causa na mulher uma grande culpa pelo desmame precoce.  
 

6. A amamentação já foi produto de marketing 

Tanto para manter as mulheres em casa, ocupadas e culpadas, quanto para comprar produtos cujas propagandas demonizavam o leite materno, enriquecendo a indústria e pediatras. Neste último caso, o desmame precoce era incentivado pela substituição do leite materno por de leite em pó fortificado com a promessa de que a criança estaria recebendo um alimento mais completo.  

 

7. A não-amamentação não é um problema nem motivo para culpa 

Existe um desafio para compreender a mulher como mãe e a mãe como nutriz, e existe um desafio maior ainda para prover assistência e apoio para essas 3 mulheres em uma. 

A não-amamentação pode ocorrer por diversos motivos relacionados ao corpo da mulher ou à sua vontade. A cantora Adéle desabafou em um show em Londres sobre a culpa que sentiu quando não conseguiu mais amamentar seu filho depois de 9 semanas. A pressão sobre as mulheres é tão grande que a cantora se culpou tanto a ponto de pensar que seu filho fosse morrer com seu “descaso”.  
 

Aqui no Brasil, a apresentadora Fernanda Gentil, em 2015, também dividiu no Instagram seu relato sobre sua expectativa quebrada.  
 

“Eu achei que amamentar fosse tão automático quanto ser mãe: se quando nasce um filho, nasce uma mãe, então essa mãe vai amamentar. Não necessariamente. Não se tiver mamilos invertidos, prótese, redução de mama, se sentir muita dor, o leite não descer ou se secar – e o meu secou. Para uma mãe que sempre sonhou em viver o momento mágico-de-filme do filho mamando no peito, do olho no olho, da mãozinha segurando o nosso dedo, a notícia da mamadeira cai como uma bomba. Chorei, me julguei e repassei a gravidez inteira na minha cabeça tentando descobrir onde errei – se foi o chocolate que comi, a noite que não dormi ou aquela longa escada que subi. O meu sofrimento durou até eu dar a primeira mamadeira. Foi quando descobri duas coisas: eles também olham no nosso olho e a mãozinha também segura o nosso dedo quando mamam na “dedêra”. Descobri também que esse é um assunto polêmico e não estou aqui para polemizar. Se eu posso usar minha imagem para ajudar minimamente que seja, escrevo por isso – principalmente para mulheres na mesma situação que eu. E se você é uma delas, aí vai a minha terceira e melhor descoberta: o amor que bate no peito, bate também na mamadeira.” 

Entrevistamos também uma mãe que teve sua expectativa quebrada por um médico. No caso da Maíra Castilho, ela recebeu a triste notícia equivocada que sua filha tinha alergia ao seu leite. O direcionamento do pediatra era que ela parasse de amamentar e substituísse seu leite por fórmulas e mamadeira. Muito tempo depois, Maíra descobre que a solução do problema estava na sua alimentação, sacrifício que ela teria feito e teria valido a pena pela experiência da amamentação.  

Ela desabafa que “a medicina tradicional quer sempre pegar um atalho: vamos resolver assim que ela vai melhorar rápido e que você vai ter mais liberdade”. 

Malu, sua filha, não teve problemas de saúde ou um mau desenvolvimento pelo desmame precoce, mas a desinformação e o descaso médico foram fatores que prejudicaram o processo complexo de início de maternidade.  

A amamentação tem seus benefícios, mas, se por escolha ou resposta do corpo, ela não acontecer, existem alternativas para a criação de vínculo entre mãe e bebê e nutrição da criança.  

 

Por Laíza Negrão 

Produtos Desinchá
 

Fontes: 

Benefícios da amamentação para a saúde da mulher e do bebê (http://anais.unievangelica.edu.br/index.php/joa/article/view/4339

Amamentação: Um híbrido de natureza-cultura (http://www.scielo.br/pdf/%0D/jped/v80n5s0/v80n5s0a02.pdf

Algumas de nós simplesmente não conseguem (https://claudia.abril.com.br/famosos/adele-sobre-amamentacao-algumas-de-nos-simplesmente-nao-conseguem/

 

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