Alimentos transgênicos: o que são e por que existem?

Olá! Sou a Vitória, nova nutricionista da Desinchá, e agora estarei aqui no blog para tirar suas dúvidas sobre nutrição. Pode contar comigo, ok?
Você já deve ter ouvido falar dos alimentos transgênicos, ou alimentos geneticamente modificados. Ou talvez já tenha reparado no “T” amarelo nas embalagens de alguns produtos no supermercado. 

Apesar de muita gente falar sobre esse tema, ele ainda gera muitas dúvidas. Então hoje vim aqui para responder as principais perguntas que recebo sobre transgênicos. 

Alimentos transgênicos: quem são eles e porque existem?

Afinal, o que é um alimento transgênico?  

O alimento transgênico é uma classificação dos OGM’s (Organismos Geneticamente Modificados) segundo a definição do Ministério da Agricultura. Ou seja: é todo e qualquer organismo que teve seu material genético (DNA) modificado pela engenharia genética em laboratórios.  A tecnologia chamada de “biotecnologia moderna” ou “tecnologia genética”, permite que genes individuais selecionados sejam transferidos de um organismo para outro, também entre espécies não relacionadas (por exemplo: transferir o gene de um peixe para um tomate, fazendo com que ele tenha propriedades diferentes do tomate comum, mais resistente). 

 

Por que a indústria modifica a genética dos alimentos?

A técnica de transgenia tem como objetivo principal melhorar a proteção dos cultivos, para que sejam resistentes a doenças, pragas, agrotóxicos e mudanças climáticas. E para que sejam, também, mais nutritivos e produtivos. 

Além disso, alimentos transgênicos são desenvolvidos – e comercializados – porque existem vantagens tanto para o produtor como para o consumidor desses alimentos. Isso resulta em um produto com preço mais baixo e maior benefício (em termos de durabilidade e/ou valor nutricional). Inicialmente, os desenvolvedores de sementes GM (geneticamente modificadas) queriam que seus produtos fossem aceitos pelos produtores e se concentraram em inovações benéficas aos agricultores (e à indústria alimentícia em geral). 

 

Aqui vai um exemplo: 

Um mamão cultivado de forma orgânica cresce e é infectado pela natureza através do vírus mosaico do mamoeiro (também conhecido como mancha anelar). 

Um outro mamão, geneticamente modificado, recebe um gene específico para que seja resistente à infecção deste vírus, que é cultivado e não apresenta manchas da infecção. 

Qual destes dois você escolheria para comer?  

Alimentos transgênicos 

Bom, mas nem tudo são flores… 

 

Quais os riscos à saúde?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as três principais questões debatidas são os potenciais para provocar reações alérgicas (alergenicidade), aumento da resistência à antibióticos e maior quantidade de resíduos de agrotóxicos.

Ainda confuso? Calma que vou destrinchar cada um desses itens. 

#1 Alergenicidade 

Se o gene de uma espécie que provoca alergia em algumas pessoas for usado para criar um produto transgênico, esse novo produto também pode causar alergias, porque há uma transferência das características daquela espécie. 

Foi o que aconteceu nos Estados Unidos: reações em pessoas alérgicas impediram a comercialização de uma soja que possuía gene de castanha-do-pará (que é um famoso alergênico). 

 

#2 Aumento da resistência à antibióticos  

Para se certificar de que a modificação genética “deu certo”, os cientistas inserem genes de bactérias resistentes a antibióticos. Isso pode provocar o aumento da resistência a antibióticos nos seres humanos que ingerem esses alimentos.  

Por exemplo, se comêssemos um alimento com essa resistência a antibióticos, ficaríamos resistentes a estes remédios, o que pode ser prejudicial à saúde. Embora a probabilidade dessa transferência seja baixa, é encorajado que não envolvam genes de resistência a antibióticos na tecnologia de transferência de genes. 

 

#3 Maior quantidade de resíduos de agrotóxicos 

Colocando os genes resistentes a agrotóxicos em certos produtos transgênicos, as pragas e as ervas-daninhas poderão desenvolver a mesma resistência, tornando-se “super-pragas” e “super-ervas”.  

Por exemplo, um tipo específico de soja transgênica tem como característica resistir à aplicação do herbicida glifosfato. Consequentemente, haverá necessidade de aplicação de maiores quantidades de veneno nas plantações, o que representa maior quantidade de resíduos tóxicos nos alimentos que nós consumimos. 

 

O que é aquele T amarelo que vemos em alguns produtos no mercado?

Após insistência da Greenpeace para que houvesse uma maneira de identificar o produto para que o consumidor pudesse optar por consumi-lo ou não, o decreto de rotulagem foi publicado apenas em 2008 pelo Ministério Público Federal, que determinou que as empresas rotulassem definitivamente seus produtos, obrigando-as a identificarem com a letra “T” os alimentos e produtos que continham mais de 1% de matéria-prima transgênica.

A partir de então, a briga tem sido constante. As empresas que comercializam transgênicos alegam que o rótulo assusta o consumidor, já que a maioria das pessoas não sabe o que são e para que servem estes produtos, além de afirmar que o “T” pode ser facilmente confundido com perigo, radiação, inflamável e proibição. Por essas e outras eles acreditam que a identificação pode desestimular o consumo.

Em 2018 foi aprovado no Brasil o Projeto de leiLC 34/2015, que concede um retrocesso na rotulagem de alimentos transgênicos, retirando o triângulo amarelo com a letra T que era presente na embalagem dos produtos, mantendo, porém, a obrigatoriedade de acrescentar a informação de outra maneira no rótulo para aqueles que contenham 1% ou mais de transgênicos em sua composição.  

 

Quais são os riscos ao meio ambiente?

Segundo a OMS, questões preocupantes incluem:  

  • a capacidade do alimento transgênico escapar e introduzir genes geneticamente modificados em populações selvagens 
  • a persistência do gene após a colheita do OGM 
  • a susceptibilidade de organismos não-alvo (por exemplo, insetos que não são pragas) ao produto gênico 
  • a redução do espectro de outras plantas, incluindo perda de biodiversidade 
  • aumento do uso de produtos químicos na agricultura 

Os aspectos de segurança ambiental dos cultivos geneticamente modificados variam consideravelmente de acordo com as condições locais. 

 

Agora você deve estar se perguntando: “Ok, querida nutri. Mas afinal, eu devo ou não consumir os alimentos transgênicos?” 

Olha, depende. Nem todos os transgênicos são criados iguais… Alguns podem aumentar os componentes nutricionais (yay!), enquanto outros podem deixar o alimento mais resistente a agrotóxicos, o que justificaria usar pesticidas ainda mais nocivos à saúde humana (droga!) 

Os alimentos transgênicos não têm embasamento científico suficiente para alegar que fazem mal à saúde. Todo produto derivado da biotecnologia que se destine à alimentação humana e animal é rigorosamente avaliado para que não haja problema na segurança alimentar dos mesmos.

Mesmo assim, é importante ficar atento. Quanto menos produtos ultraindustrializados você consumir, melhor. Sejam eles transgênicos ou não. 😉  

Assinatura Desinchá

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