Amizade é o melhor remédio

Já diz o ditado: “amigos são a família que a gente escolhe”. São pessoas que encontramos na vida e ficam por anos, para a vida toda ou, às vezes, por pouco tempo. Mas independentemente do tempo, nos marcam e se tornam as melhores companhias para todos os momentos. 

Quem tem amigos, aqueles que estão com a gente no churrasco ou no velório, sabe da importância que eles têm na nossa formação de caráter, para nos mostrar coisas novas ou nos fazer enxergar aquilo que estamos cansados de saber com um olhar diferente. Amigos nos tiram da bad, nos cuidam durante as bebedeiras, são nosso freio e acelerador quando precisamos.  

Esses laços são tão potentes que aparecem como tema de inúmeros filmes, séries (saudoso Friends…) e músicas. E como não poderia deixar de ser, a ciência já coleciona diversos estudos comprovando seus benefícios, mas também alerta para que a gente não se engane nem se iluda com a quantidade.  

Amizade é o melhor remédio

Um indivíduo que não tem nenhum amigo tem algo errado, mas da mesma forma, é humanamente impossível que alguém tenha 20 ou 30 melhores amigos (pelo menos ao mesmo tempo) 

Os cientistas Anxo Sánchez, Ignacio Tamarit, José A. Costa e Robin I. M. Dunbar publicaram um estudo na revista PNAS sobre a estrutura da organização dos relacionamentos. Eles afirmam que cada tipo demanda investimentos diferentes. O tempo dedicado para criar e manter uma relação tão íntima é alto e não existem horas suficientes no dia, semana ou no mês para fazer a manutenção desse vínculo. Mesmo dentro de nós, o cérebro teria que ser afiadíssimo para lembrar os gostos, preferências e dados de todos. 

Para começar, eles foram a uma universidade norte-americana e lá comprovaram que 98% dos alunos organizavam suas amizades de maneira similar: poucos amigos muito íntimos, alguns tantos bons amigos, e muitos conhecidos. Vários testes depois eles concluíram que o número máximo de relações que somos capazes de administrar é 150. Diante desses dados, fica claro que Roberto Carlos jamais conseguiria ter um milhão de amigos… 

Estudos da Universidade de Oxford classificam esses 3 grupos: 

– Melhores Amigos: aqueles com quem passamos mais tempo e sabem de todos os nossos segredos. De acordo com Aristóteles, somos capazes de ter até 5 melhores amigos 

– Grupo de Empatia: pessoas com quem nos importamos e consideramos. Podem ser amigos do trabalho ou amigos de amigos e normalmente é composto por cerca de 15 indivíduos. 

– A Média: relacionamento que temos com a maioria das pessoas no dia a dia. Esse grupo costuma 50 integrantes que denominamos como colegas. 

Mas não importa se são 2, 3 ou apenas 1 amigo que está ao nosso lado para tudo ou para nada, amizade é fundamental! Além do sentimento de pertencimento e felicidade que nos oferece, ela também é aliada de uma vida mais saudável! Dá uma olhada: 

– Em 1937 a Universidade Harvard (EUA) começou um estudo para descobrir o que deixa as pessoas mais saudáveis. Esse programa perdura até hoje, com testes e exames periódicos nos milhares de participantes que tem suas vidas analisadas, e um dos fatores comprovados mais importante é ela: a amizade. 

– Segundo pesquisadores da Duke University (EUA), pessoas com menos de 4 amigos tem 2 vezes mais riscos de terem problemas cardíacos. De acordo com eles, isso acontece por causa do aumento da produção de ocitocina que relacionamentos como a amizade causam. Este hormônio ajuda a reduzir os batimentos cardíacos e a pressão sanguínea.  

– Quem tem amigos no trabalho se sente 7 vezes mais envolvido nas tarefas, 50% mais satisfeito e até 2 vezes mais feliz com o salário que recebe. 

– Amigos fazem com que nossa capacidade de empatia aumente: Um grupo da Universidade da Virginia (EUA), estudou tomografias de 22 pessoas ameaçadas de receber pequenas descargas elétricas ou informadas que um amigo ou um desconhecido as tinha recebido. Os cientistas descobriram que a atividade cerebral de uma pessoa quando está em perigo é praticamente idêntica à que ela demonstra quando é seu amigo quem corre perigo. Nosso senso do eu inclui as pessoas próximas, garante o psicólogo James Coan, diretor do estudo.  

Mas se tudo isso não é motivo para manter uma boa amizade, não sei mais o que pode ser. 

Agora me despeço aqui com uma frase do célebre Vinícius de Moraes, que tanto falou da importância da amizade em sua obra: 

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! A alguns deles não procuro, basta saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que eu os adoro, embora não declare e os procure sempre.” 

Assinatura Desinchá

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