Biohacking: medo ou esperança no futuro?

Você, por um acaso, já foi parar em alguma conversa completamente sem noção onde as pessoas ficam fritando o cérebro em previsões sobre o futuro? Eu tenho certeza que sim.  

Nessas rodas você encontra todo tipo de perfil: os otimistas, os pessimistas, os paranoicos, os conspiracionistas, os cinéfilos (aqueles que usam exemplos de filmes hollywoodianos para defender sua visão de futuro) e os que simplesmente não se importam (o que muitos julgam ser o melhor tipo dessa lista. Por mim tudo bem). 

Mas o plot twist da vez é o fato de que existe a possibilidade do cinéfilo estar correto. É isso mesmo que você leu: o universo fantasioso do cinema parece estar se tornando parte da realidade. Estaríamos nós vivendo na Matrix?  

Você, caro leitor, já assistiu ao filme “Sem Limites”? Caso não tenha visto, é basicamente sobre um cara que começa a tomar uma pílula que faz o cérebro performar com 100% da sua capacidade. A partir disso, ele fica focado e produtivo como ninguém, ultra criativo, faz cálculos impossíveis, aprende outros idiomas com uma facilidade absurda, escreve muito rapidamente, e outras coisas impressionantes.  

Isso parecia absurdo até outro dia. Mas uma palavrinha da moda está fazendo com que NOS PERMITAMOS SONHAR: já ouviu falar de Biohacking

Biohacking: medo ou esperança no futuro?

Já que os hackers estão na moda, fica mais fácil explicar esse conceito: é quase o mesmo princípio do que eles fazem com computadores, mas aqui o nosso corpo que é hackeado. E ao invés de nos roubarem dados, são incluídas substâncias ou abordagens não interventivas, como cromoterapia, que trazem melhorias para o seu corpo. 

A diferença desse novo método levemente assustador é que ele aborda nosso corpo pelo ponto de vista biológico, enquanto outros métodos usam técnicas como metas curtas, cronômetros para tempo de foco. Ou seja: o Biohacking utiliza implantes, suplementos ou alimentos para potencializar suas qualidades.  

Existem dois tipos de abordagens dessa técnica:  

  • Interventiva – você melhora seu próprio corpo com o uso de implantes que potencializam sua capacidade. Por exemplo, com chips implantados no braço que liberam suplementos periodicamente. Tem até gente que até implanta uma substância no olho para enxergar no escuro. O tipo da coisa que é meio bizarra, mas o jovem vai adorar. 
  • Não interventiva – aqui são usados apenas elementos externos. Desde áudios para melhorar a concentração até a cromoterapia para dormir melhor.  

O que os dois casos tem em comum é o fato de usarem da biologia para melhorarem seus corpos.  

E disso surge a expressão que vai confundir a cabeça de muitos distraídos por aí: o transhumanismo. Essa expressão não tem nenhuma relação com gênero. Ela apenas define a crença de que é possível melhorarmos nossos corpos, nossa condição como seres humanos, com a tecnologia. Seria o “super homem” previsto por Nietszche? Bom, na verdade esse “super homem” do famoso filósofo é muito mais complexo que isso, mas eu queria colocar uma referência inteligente no texto.  

Mas o Biohacking não se limita apenas a melhorar sua performance em exercícios ou fazê-lo enxergar melhor. Ele já faz coisas que fazem você pensar que está em um filme futurista do Steven Spielberg (lembra que os cinéfilos tinham razão?)  

Por exemplo, uma pessoa que se tornou famosa por produzir diversas coisas através do Biohacking chama-se Dave Asprey: ele produziu um café com manteiga que aumenta muito sua energia, um óculos com lentes alaranjada que melhora a qualidade do sono e audição de sons binaurais para aumentar o foco.  

Mas ele é super tranquilinho comparado com alguns outros que não tem muito medo de experiências intensas. Alguns implantam chips para conseguir abrir fechaduras eletrônicas, outros implantam imãs para sentir campos eletromagnéticos, e outros que não conseguem enxergar cores e passam a conseguir, através de um sistema que capta a frequência da vibração de cada cor e transforma em sons que permitem que o cérebro identifique essas cores.  

É claro que tudo isso é muito além e muitos desses experimentos são perigosos. Mas estamos abordando, aqui, o fato de que a tecnologia está seguindo um caminho que pode nos livrar de diversos problemas que tanto nos perseguem durante os séculos.  

Existem coisas que fazem parte do Biohacking que você nem sabia: diversas pessoas utilizam marca-passo para regular os batimentos do coração, mulheres que implantam chips que liberam anticoncepcionais, aparelhos auditivos, etc. Tudo isso são invenções humanas que melhoram características do nosso corpo.  

E mais: um exemplo de Biohacking não interventivo que está completamente ao nosso alcance é a alimentação. Quando controlamos o que ingerimos escolhendo cuidadosamente o que vamos consumir pensando única e exclusivamente nos benefícios que esses alimentos podem trazer, estamos tentando melhorar nossa disposição, nosso foco e nossa produtividade. Tudo com base científica. Nada é mais importante para controlar o nosso corpo quanto a alimentação.  

Para dormir é o mesmo princípio: o Biohacking aborda métodos como exposição a luzes específicas e apps para livrar o ambiente da radiação. E todas as dicas que já demos aqui como estar em um lugar completamente escuro, não tomar cafeína depois das 18h, evitar luzes brancas e refeições pesadas.  

Mas o resumo de tudo é o seguinte, crianças: pelo amor, não tentem DO NADA montar um laboratório em seu quarto e ficar implantando chips em seus braços pra fazer coisas que nós já sabemos fazer naturalmente, como abrir portas. Mas seguir dicas seguras como melhorar a alimentação e o sono podem ser uma ótima porta de entrada para entender como funciona o mundo da busca por uma melhor performance física e mental. Mas é muito importante sabermos para onde o mundo está caminhando, pois só assim podemos ter uma noção de onde podemos chegar.  

Eu só sei que não quero entrar na Matrix.  

Assinatura Desinchá

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