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Ciclo circadiano: conhecendo seu relógio biológico

Você já ouviu falar em “ciclo circadiano”? Mesmo que ainda não, certeza que você já sentiu os efeitos dele no seu corpo.

O sono vem às 22h13, e você acorda às 6h47 sem despertador. Assim que finaliza o café da manhã, são apenas 31 minutos para bater a vontade de ir ao banheiro. A produtividade pela manhã não é tão boa, mas à noite você parece uma máquina. Mas aí vem o horário de verão e bagunça tudo por alguns dias. E logo logo seu corpo se acostuma novamente…

Isso que acabamos de descrever é um exemplo de funcionamento de seu ciclo circadiano ou ritmo circadiano. Na linguagem popular, seu relógio biológico, tema que rendeu a três pesquisadores americanos o Nobel de Medicina de 2017. Nosso papo de hoje é sobre ele.

ciclo circadiano


Ciclo circadiano

Ciclo circadiano é o responsável por regular o sono – exemplo mais óbvio de sua importância – e muitas funções do organismo. É ele quem comanda as variações diárias em seu metabolismo, relacionando-se também com a alimentação. Cada organismo tem uma maneira de lidar com o armazenamento de gordura e o consumo energético. E, em 24 horas, muita coisa pode acontecer aí dentro.

Fernando Mazzilli Louzada, professor do Departamento de Fisiologia da UFPR e doutor em neurociência, explica que a destruição do relógio biológico é incompatível com a sobrevivência. E isso já mostra a importância de darmos especial atenção ao ciclo circadiano. 

Este relógio regula algumas funções no corpo, como horário de sono, apetite, temperatura corporal, atenção, níveis hormonais, desempenho diário, pressão arterial e tempos de reação.


O Nobel de Medicina de 2017

Os três cientistas norte-americanos que ganharam o Nobel de Medicina em 2017 são Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young. Juntos, eles descobriram alguns genes relacionados ao ciclo circadiano. Em 1984, Hall e Rosbash isolaram o gene chamado de “Period” em moscas drosófilas. Descobriram que os níveis da “PER”, proteína associada a ele, variavam ao longo do dia. Em 1994, Young descobriu o gene “Timeless”, que atua com o “Period” na regulação do ritmo circadiano.

Ao identificar os genes que regulam o relógio biológico, eles descobriram que o sono é mais uma questão genética do que de hábito.

 

Ciclo circadiano e sono

Durante todo o dia, liberamos o hormônio do sono (melatonina). Mas seu nível aumenta com o escurecer, e abaixa com a claridade. Para que nosso corpo entenda isso como um sinal da hora de dormir, temos o chamado núcleo supraquiasmático

Essa estrutura cerebral recebe informações dos fotorreceptores da retina e regula nosso ciclo circadiano. Assim que o sol se põe, ele sinaliza para a glândula pineal que é preciso secretar melatonina. Esse sinal também reduz nossa pressão sanguínea e temperatura corporal.

Então se é a claridade que comanda, podemos pensar que pessoas cegas apresentam problemas com ciclo circadiano? 

Sim. Sem os sinais de claridade, a dificuldade aumenta. 

E isso também quer dizer que as pessoas que trabalham em turnos ou fora do horário comercial têm mais chance de desenvolver distúrbios relacionados ao ciclo circadiano? 

Sim. Profissionais de saúde, pilotos, profissionais de segurança pública, e pessoas que viajam muito e lidam com fuso horário constantemente correm mais riscos. Em geral, eles têm episódios de sonolência excessiva ou insônia.

Seus ritmos biológicos se destinam a protegê-lo, sinalizando quando é hora de descansar. Pense nisso.

 

Distúrbios do ciclo circadiano e seus efeitos

O ciclo circadiano está ligado diretamente à saúde e ao bem-estar. Já reparou como você fica péssimo naquela semana de sono inconstante? Além da sonolência diurna, o desempenho no trabalho diminui. Se você trabalha em atividades periculosas ou insalubres, o risco de acidentes aumenta. Parece que sua mente não funciona muito bem. Você fica mais ansioso.

Sofrer perturbação constante no ciclo circadiano pode causar distúrbios do sono, jet lag, e transtornos de humor (depressão e transtorno bipolar, por exemplo). Mas as notícias ruins não param por aí.

Em entrevista ao El País Brasil, Michael W. Young, um dos ganhadores do Nobel destaca que as mutações no sono ou nos ritmos circadianos impactam diretamente na saúde.

Ele diz: “em animais, sabemos que quando o relógio biológico não funciona, por exemplo no pâncreas, dá-se uma resposta como o diabetes. Suspeito que aconteceria o mesmo se perdêssemos os relógios biológicos do nosso pâncreas, teríamos um problema similar”.

Young ainda pontua que o horário das refeições é extremamente importante para o ciclo circadiano. Na visão do pesquisador dá o exemplo daquela escapadinha para a geladeira no meio da noite: “Isso seria um sinal para nosso fígado e nossos pulmões, e para nossos músculos, de que estamos em outro fuso horário”.

A Dra. Caroline Mesquita, doutora em Farmacologia pela UNICAMP, também alerta: “Quando a alimentação ocorre em períodos incorretos, podem ser observados desalinhamentos no ciclo circadiano interno, por exemplo, a restrição da alimentação resulta em desordem entre os ritmos centrais e periféricos, incluindo os localizados no fígado”.

Muitos estudos recentes indicam que o desalinhamento do ciclo circadiano também se relaciona com obesidade, ganho de massa e disfunções metabólicas.

Ou seja, tenha muito carinho com seus horários e cuide bem do seu ciclo circadiano.

 

Um jet lag depois daquela viagem incrível interfere no seu ritmo circadiano, mas ele vai se resolver sozinho, não se preocupe. Mas se você apresenta fadiga, insônia e outros distúrbios, procure auxílio médico para que ele avalie e prescreva o tratamento correto, se for o caso.

Adotar bons hábitos e melhorar seu estilo de vida pode ajudar. Evitar substâncias que te deixam mais desperto(a) antes de dormir é uma ótima ideia. Manter um horário regular de sono e fazer atividades físicas também. 

Na dúvida, uma Desinchá Noite cai bem!

Desinchá Noite

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