Como você encara suas emoções?

Ontem, em mais um dia normal aqui no escritório, estava conversando com as pessoas que sentam próximas e, de repente, entramos em um mini debate sobre sentimentos e emoções. Mas não daqueles que as pessoas simplesmente falam como devemos reagir quando estamos mal, ou como estamos felizes por algum motivo qualquer, tipo ter acabado de chegar café aqui na copa.  

Na verdade, foi só um gatilho puxado por uma pergunta: “o que você faz pra ser calmo assim?” e a resposta foi: “é o ódio”, em tom de brincadeira. Uma das minhas colegas questionou: “como assim o ÓDIO te faz ser calmo?” “Ah, porque ele me equilibra. Você já assistiu Divertida Mente?” respondi.  

Conversamos mais um pouco e, resumindo: isso gerou um insight para escrever esse texto. Falar sobre sentimentos e emoções e como eles nos equilibram.  

Então acho bom perguntar: você já assistiu Divertida Mente?  

Caso não tenha assistido, trata-se de uma animação MUITO incrível sobre uma criança chamada Riley, que tem suas emoções representadas em personagens fofinhos que ficam dentro da cabeça dela. Esses personagens são responsáveis por processar as informações e armazenar as memórias.   

Em determinado momento do filme, esses personagens passam a disputar o controle das emoções da Riley. E a personagem que passa mais tempo tentando assumir esse controle é a que representa a Alegria. Uma das estratégias para não deixar que a personagem Tristeza assuma o controle (fazendo, assim, com que a garota fique triste) é deixá-la de escanteio, no canto, o que é relativamente simples, pois ela é triste e passiva e não tem muita força pra reagir.  

O esforço da Alegria para dominar a mente da Riley e tentar fazer com que ela só tenha experiências boas torna-se um verdadeiro desastre. Impedir que ela sinta medo, tristeza, nojo ou raiva faz com que a garotinha tome diversas decisões equivocadas e tenha muitas frustrações.   

O funcionamento dessas emoções dentro da cabeça da pequena Riley são mais complexos do que a minha explicação faz parecer ser, mas esse resumo é o suficiente para onde quero chegar. 

É bem surreal, mas acho que deu pra entender. 

O filme passa uma mensagem similar a conversa que tive aqui com o pessoal: não devemos negar nossas emoções. Quando fazemos isso, não estamos apenas nos privando de um momento no tempo, mas de tudo aquilo que aprendemos com o que sentimos.  

Como você encara suas emoções?

Emoções não são nada sozinhas. Sim, inclusive a alegria. Se você ficasse apenas alegre o tempo todo (além do paradoxo de que isso se transformaria em estar “normal” o tempo todo), acabaria fugindo da realidade ao seu redor. Algumas situações exigem o medo e a insegurança para conseguirmos nos proteger.  

Sentir raiva, por exemplo, estimula você a se defender. Ela não significa que você vá ficar agressivo e destruir coisas, mas sim que irá se indignar – e isso é ótimo, pois vai melhorar sua capacidade, inclusive, de corrigir injustiças. 

Sentir nojo faz com que você não coma um alimento estragado. A tristeza nos faz refletir e aprender com as situações ruins. O medo faz com que você evite alguma situação perigosa ou fuja de uma cilada. Ou seja: ele basicamente nos faz sobreviver.  

O fato de lutarmos tanto para não sentirmos as coisas consideradas “ruins” evidencia um problema: nossa sociedade, atualmente, precisa estar feliz o tempo todo. Isso já acontece há algum tempo, mas não para de crescer. Quando não estamos felizes em entramos em alguma rede social, como o Instagram, onde expomos sempre o melhor lado das nossas vidas, ficamos até culpados por estarmos sentindo tristeza naquele momento.  

Mas nossas emoções possuem infinitas combinações: uma não necessariamente anula a outra. A tristeza não é o oposto da alegria: são sentimentos complexos que vão moldando a nossa personalidade e ditando como encaramos as emoções. 

O paradoxo dessa situação contemporânea está no fato de que, ao negarmos nossos sentimentos para valorizarmos excessivamente a felicidade, estamos alimentando exatamente sentimentos que tentamos reprimir. E quando é inevitável que eles surjam, é trágico: não estamos preparados para lidar com eles. E aí temos uma geração inteira de pessoas frustradas, confusas e infelizes.  

É aí que entra minha fala, lá do começo do texto, dizendo que o ódio me “equilibra”. Me permitir sentir todas as emoções faz com que eu esteja mais preparado para situações ruins. Eu reconheço minha raiva, tristeza, medo, ou qualquer outro. Sei que tudo está aqui. E sei que posso conviver com isso muito bem.  

Outro ponto, que não tem muita relação com o filme, que eu quero abordar antes de encerrar essa viagem, querido leitor: existe beleza no fracasso. Encontram-se possibilidades, ensinamentos, sabedoria e amadurecimento na derrota.  

Então vamos brindar, meu amigo. Seja o que for. Sucessos e derrotas. Mas, principalmente, por deixar nossas emoções agirem naturalmente, para nos lembrarem sempre que estamos vivos. 

Assinatura Desinchá

1
Comente aqui

avatar
1 Comentários
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
1 Comment authors
Michele Oliveira Mendonça Prado Recent comment authors
newest oldest
Michele Oliveira Mendonça Prado
Visitante
Michele Oliveira Mendonça Prado

Muito bom! Com ctz qq uma das emoções nos fazem aprender algo.