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Educação sexual: Já falou sobre sexo com seu filho?

Um relatório de 2018 da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) aponta que o Brasil possui uma taxa de gravidez entre adolescentes acima da média. São 68,4 nascimentos para cada mil meninas de 15 a 19 anos. A taxa mundial é estimada em 46. E o que pode ser feito para reduzir essas taxas, considerando que a mortalidade materna é uma das principais causas da morte entre adolescentes na região das Américas? Uma das opções são os programas de educação sexual para adolescentes. 

Educação sexual: Já falou de sexo com seu filho hoje?

 
O “problema” da gravidez na adolescência 

Carissa F. Etienne, diretora da OPAS, diz que a alta taxa de fertilidade entre adolescentes tem um efeito profundo na saúde das meninas durante a vida. E quem sofre mais com isso? Pessoas em condições de vulnerabilidade, vítimas da desigualdade social. Ela explica: “Não apenas cria obstáculos para seu desenvolvimento psicossocial, como se associa a resultados deficientes na saúde e a um maior risco de morte materna. Além disso, seus filhos têm mais risco de ter uma saúde mais frágil e cair na pobreza”. 

Quanto ao risco de morte materna, em 2014, cerca de 1,9 mil adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos perderam a vida por causa de problemas de saúde durante a gravidez, parto e pós-parto. 

A diretora regional do UNICEF, Marita Perceval, ainda destaca que a gravidez na adolescência faz com que muitas meninas e adolescentes abandonem a escola. Você provavelmente já escutou um caso parecido.  

Esse abandono tem um impacto de longo prazo, dificultando o acesso ao mercado de trabalho por causa da escolaridade e interferindo na participação da vida pública e política. O resultado é triste: perpetuação dos padrões de pobreza e exclusão social. 

E como a educação sexual para adolescentes pode modificar esse cenário? Para entender isso, é preciso saber o que é saúde sexual e reprodutiva. 

 

Saúde sexual e reprodutiva 

Quem não deseja desfrutar e expressar sua sexualidade sem riscos? Evitar doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), gestações indesejadas, violência e discriminação é o sonho de qualquer pessoa, certo? Pois a saúde sexual é exatamente essa habilidade de “curtir a vida adoidado”, valorizando a expressão da identidade e as relações pessoais sem riscos. 

E ela está diretamente relacionada aos chamados direitos sexuais. O manual Cuidando de Adolescentes: Orientações Básicas para a Saúde Sexual e a Saúde Reprodutiva, do Ministério da Saúde, conceitua o que são os direitos sexuais: 

Os direitos sexuais dizem respeito ao direito de viver a sexualidade, com respeito pelo próprio corpo e pelo do parceiro; de escolher o(a) parceiro(a) sexual sem medo, culpa, vergonha ou falsas crenças; de escolher se quer ou não ter uma relação sexual, independentemente do fim reprodutivo; de expressar livremente sua orientação sexual; de ter acesso à informação e à educação sexual e reprodutiva; entre outros que possibilitam a expressão livre da sexualidade”. 

Em resumo, é a soma do “se joga, mas com responsabilidade” com o “não é não!”. 

Além dos direitos sexuais, existem os direitos reprodutivos. A saúde reprodutiva envolve um estado de completo bem-estar físico, mental e social no que diz respeito ao sistema reprodutivo. Não é apenas a ausência de doenças, mas a compreensão acerca de suas funções e processos para uma vida sexual satisfatória e segura.  

Quantos filhos seu filho quer ter? Cinco ou nenhum? Isso envolve a liberdade de planejamento familiar, que é um direito reprodutivo. 

E como os adolescentes compreenderão esses conceitos? Com informação. Aí entra a educação sexual! 

 

Educação sexual para adolescentes 

Desenvolver a sexualidade é uma premissa básica do crescimento do indivíduo. Os jovens que têm acesso à informação sobre os direitos sexuais e reprodutivos usufruem de benefícios na determinação de sua autoestima e de seu próprio corpo, bem como nas relações afetivas. Que delícia, né? 

Para promover a educação sexual para adolescentes, a gente deve pensar em 3 eixos principais: 

  • Sexualidade, anatomia e fisiologia humana: neste ponto, abordam-se temas como anatomia feminina e masculina, definição de sexo e sexualidade, orientação sexual, menstruação, masturbação, reprodução humana e gravidez
  • Métodos anticoncepcionais e proteção contra DSTs: abordagem sobre modos de práticas sexuais, preservativos (feminino e masculino) e outros métodos contraceptivos (DIU, diafragma, anticoncepcional oral e injetável, pílula do dia seguinte, gel espermicida, coito interrompido, “tabelinha”); 
  • Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids: conceito e principais tipos de DSTs (candidíase, gonorréia, tricomoníase, herpes genital, condiloma acuminado, clamídia, cancro mole, sífilisHPV, vaginose, hepatite B etc.), sinais e sintomas, modos de transmissão e prevenção. 

A educação sexual para adolescentes é fundamental para que eles exerçam sua individualidade com segurança. A partir do momento em que os jovens internalizam esse conhecimento, os riscos diminuem drasticamente. E evitam situações graves, como doenças e a prática do abuso sexual. 

 

O papel da escola na educação sexual

Mesmo diante da importância da educação sexual para adolescentes, as escolas brasileiras ainda são temerárias quanto ao assunto. No Brasil, o conservadorismo religioso é um dos motivos. Muitas religiões são contrárias à educação sexual na escola. Então, considerando esse cenário, a responsabilidade cai nos ombros dos pais. 

No entanto, a educação em sexualidade é uma responsabilidade conjunta dos setores da educação e da saúde, com os pais. Nessas instituições, é preciso desenvolver ações que envolvam os adolescentes e jovens, suas famílias e a comunidade. 

Debater a sexualidade, que é um aspecto fundamental da vida humana, não é somente incluir o assunto em um aspecto biológico, como nas aulas de biologia. É preciso considerar o comportamento, o gênero, a diversidade e outras abordagens. 

Para falar sobre tudo isso de forma satisfatória, as escolas devem ter profissionais preparados para tratar o assunto de forma natural. A socióloga Jacqueline Pitanguy, da ONG Cepia, pontua que o fato de não ser um ensino obrigatório, com currículo aprovado, dificulta bastante.  

Em sua visão, “o que se vê no Brasil é que são pouquíssimos os cursos que tratam efetivamente de educação sexual e de reprodução. Você pode ter através da biologia, mas não como uma matéria em si. Porque é muito mais do que o funcionamento biológico do corpo, a educação sexual tem a ver com cidadania, com direitos humanos”. 

E se a escola não dá conta dessa educação, para quem sobra? Isso mesmo. Para os pais. 

 

O papel dos pais na educação sexual

Desde a infância, basta a criança tocar no assunto “sexo”, ainda que de forma ingênua, para alguns pais e mães ficarem vermelhos de vergonha. Mas por que tanta dificuldade em falar sobre um assunto que permeia nossa vida de forma tão natural? 

Falar sobre sexo não incentiva o sexo precoce. O que incentiva, na verdade, é a falta de informação, de acordo com dados da OMS. Por isso, se você tem uma criança ou adolescente em casa, deixe a vergonha de lado e converse com ela sobre o assunto. Abrir o diálogo é uma excelente maneira de prevenir os riscos e educá-los. 

Mas quando começar a falar sobre tudo? Desde a infância, gradualmente, e de acordo com o desenvolvimento psicossexual de cada faixa etária. As crianças querem saber de onde vieram, por que têm genitais diferentes, por que as pessoas se beijam na boca. Dependendo do nível de maturidade e compreensão, é possível responder a todas essas questões. 

Tratar o sexo e a sexualidade como naturais ajuda, inclusive, a manter a saúde global de um indivíduo. Ao atingir a adolescência, será muito mais simples conversar com eles sobre sexo. 

A educação sexual para adolescentes é primordial para promover a saúde sexual e reprodutiva de cada um. Pais e instituições de ensino, junto com o governo, devem atuar para proporcionar um bem-estar físico, mental e psicológico aos nossos jovens. E a informação sempre será um grande motor para isso.  

 

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Fontes: 

Nações Unidas | Taxa de gravidez adolescente no Brasil está acima da média latino-americana e caribenha
Estadão  | Como os pais podem promover educação sexual da qualidade para seus filhos adolescentes?
Estadão | ‘Educação é o melhor contraceptivo’: Brasil tem piores índices de educação sexual na América Latina
Ministério da Saúde | Orientações básicas para a saúde sexual e saúde reprodutiva 

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