Futebol também é treino para a vida

Antes de qualquer coisa, acho importante já responder logo de cara a pergunta: o que futebol tem a ver com a Desinchá?  

A princípio, nada. Principalmente se pensarmos no futebol brasileiro de maneira geral: a qualidade do jogo é ruim, a administração é um desastre e a violência (fora dos estádios) é algo recorrente. Além disso, somos um país que dá pouquíssimo incentivo na base, para não dizer nenhum. E, no pós-copa de 2014, entramos numa onda de cobrar ingressos caríssimos nos estádios, o que afastou consideravelmente uma parcela menos favorecida da população das arquibancadas. Como resultado, a função social do nosso principal esporte vem morrendo a cada ano.  

Mas sempre fui um fã incondicional do futebol, daqueles românticos. Acredito que nosso esporte pode ser salvo e se tornar uma grande engrenagem para o desenvolvimento social.  

Mas o meu romantismo faz com que eu veja algo além do lado social nesse esporte. Na minha visão, a parte do desenvolvimento psicológico, de personalidade, da maneira como percebemos o mundo, também é muito grande. Tanto campo quanto arquibancada são praticamente metáforas muito fiéis da nossa realidade como um todo. Ou seja: o futebol pode, sim, ser um hábito saudável para todos. Veja:  

Futebol também é treino para a vida

FUTEBOL É COLETIVIDADE 

Às vezes é muito difícil perceber o quanto precisamos das pessoas ao nosso redor. E que não basta apenas estar perto, mas também é preciso conseguir manter as coisas em harmonia. Por melhores que sejamos, sozinhos não conseguimos conquistar todas as vitórias que buscamos. E essa noção da importância do coletivo é uma mensagem que passa para todos em nossa volta.  

 

RESPEITO 

E isso também entra na percepção do coletivo. Quando brigamos com o outro ao invés de incentivar, você fica contra o seu parceiro. Isso desconcentra todos, cria problemas que podem virar uma expulsão, por exemplo. E isso prejudicaria o coletivo. O respeito, além de tudo, nos deixa mais focados, com menos coisas na cabeça.  

 

RESISTÊNCIA 

Futebol é um esporte longo: são 90 minutos que ainda podem ter acréscimos. Todos possuem um tipo de personalidade, mas no jogo desenvolvemos a resistência do corpo e mente. Superar cansaço, provocações, placares adversos, o tempo acabando… Tudo isso serve para evoluirmos. 

 

ACEITAR 

Somos uma sociedade estimulada a competir. E não falo de esporte: falo do mercado de trabalho e de todas as tarefas que temos para sobreviver. Competindo o tempo todo, também temos várias frustrações. É difícil admitir uma derrota, é mais difícil ainda reconhecer o mérito do outro. Mas o fracasso nos faz crescer, nos permite repensar, conversar, se expor, amadurecer. É nesse tipo de derrota que conseguimos algumas conquistas que perduram muito mais.  

 

DIVERSIDADE 

Esse é de arquibancada! Nela, convivemos com todo tipo de pessoas. De todas as raças, etnias e classes sociais. E esse é um dos maiores aprendizados que existem: conviver com as diferenças ajuda a desenvolver o respeito, a empatia, a amizade, a aceitar o outro e, novamente, o senso coletivo.  

 

O futebol pode e deve ser um esporte democrático. Um espaço para que possamos, sem exceções, nos distrair dos nossos problemas, gritar, abraçar, se emocionar, se permitir sentir. Conhecer diversos universos em sinergia. Perceber que estamos todos vivos. A vida muitas vezes é muito pesada. Que bom que existe o futebol para dar um pouco de alegria, mesmo na derrota. Precisamos salvar esse esporte, antes que vire um programa de luxo.  

Assinatura Desinchá

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