Musicoterapia, híbrido de arte e saúde

Tenho que concordar: se tem uma coisa que o mundo soube fazer ao longo do tempo, é música. E como arte ela se emaranhou no seio da humanidade, criando raízes através do sentir; e como sentimento ela foi fundo e mais fundo, penetrando nossos corpos, se instalando no campo da saúde como uma semente, esperando ser germinada pelo que chamamos de musicoterapia, nos fazendo florescer.    

A musicoterapia é um tratamento que tem um relacionamento sério com os sons. Visa por meio deles proporcionar ao paciente uma forma de reconhecer, controlar e expressar suas emoções. 

Continue lendo enquanto escuta esse áudio que separamos para você:

O que a música causa em você?  

Meu professor de física falava, ainda na escola (saudades), sobre como os instrumentos (ou nossas cordas vocais) produziam ondas sonoras, vibrações de 20 a 20.000 Hz (Hertz é uma unidade de medida para frequência), com ou sem a ajuda de um amplificador de som, que se dispersam pelo ar até atingirem nossos tímpanos. Por lá o som é captado, transformado e encaminhado para o córtex cerebral para ser interpretado e guardado em memória.  

Sabemos, pois, que esse processo é bem mais complexo, mas o que precisamos compreender por estas palavras é que os sons, junto de outros sentidos, nos permitem compreender o mundo a nossa volta e mais que isso, nos desperta emoções e causam ou revivem memórias. 

Qual o seu primeiro som?   

Para te ajudar a entender, te convido nesse momento a fazer um esforço para se lembrar do som mais antigo que você puder. Certamente tiveram muitos sons anteriores ao que você pensou.  

Isso se dá porque, de todos os sentidos, o primeiro que se desenvolve completamente é o da audição. Em tese, após 16 semanas no ventre materno, já somos capazes de reagir a estímulos sonoros externos.  

Música é sobre memória, é sobre sentimento. Adicionando uma pitada de ciência médica, nasceu a musicoterapia, o híbrido perfeito.  

Continue aqui com esse play:

Por dentro das sessões  

As sessões de musicoterapia fluem como o conceito de Liberdade da voz de Djavan: 

 E voar onde o longe é pouco 
Cruzar os muros do além 
E assim pousar na Terra 

A poesia como arte, não encontra barreiras no seu processo de escrita, muito menos no casamento perfeito com o melódico. Desse relacionamento não poderia ascender coisa outra que não fosse essencialmente livre.  

Portanto, as sessões de musicoterapia, como fruto dessa liberdade, podem acontecer de algumas formas:  

  1. Com o paciente como agente passivo, aquele que somente escuta a sonoridade do musicoterapeuta pela voz, pelo instrumento ou por ambos.  
  2. Como agente ativo, gerando sonoridade junto do terapeuta, também pela voz ou instrumento.  
  3. Podem ainda ser realizadas em grupo, neste caso é comum todos os músicos numa mesma sintonia, como uma orquestra de memórias e sentimentos. 

Outras tantas devem existir, espero atualizar esse texto muitas vezes.   

Musicoterapia, híbrido de arte e saúde

 

Os benefícios    

No autismo 

No transtorno do Espectro Autista, marcado pela dificuldade de comunicação, a musicoterapia entra para ajudar a desenvolver esse lado, trabalhando a música como forma de linguagem e expressão. Isso pode ser uma saída para os pacientes com dificuldades de comunicação. 

Problemas Psicológicos  

 A musicoterapia se espalhou pelo mundo, no durante e pós Segunda Guerra, período em que a música passou a ser usada para diminuir a dor dos veteranos de guerra. Nessa época constataram a potência das investidas da música contra o estresse e a ansiedade.   

Pós AVC 

Mais uma vez a música se mostra como um importante método ressocialização, estimulando interações, comunicação, contribuindo para a reintegração social como um todo.  

Na vida

Os benefícios da musicoterapia para a vida, são os mesmos de quem faz aulas de música desde muito jovem. Pacientes e Alunos criam uma percepção emocional muito mais  aguçada, sendo capazes de perceber as variações de humor em outras pessoas com muito mais facilidade, além de expressarem melhor a sua própria. Temos ainda melhores desenvolturas para comunicação e capacidade de concentração. 

 

Termine com esse play:

Eu preciso de musicoterapia?  

Olha, sinceramente eu não sou terapeuta para te dar essa resposta, mas uma coisa eu sei: de alguma forma a música vai te atingir.  

Já falei que ela foi uma das melhores coisas que o mundo já fez? Pois é meninx, e a melhor parte é que ele sabe que mandou MUITO, tanto é que a colocou em todos os lugares: ônibus, elevador, lojas, trabalho, escola… São tantos que nós nem reparamos mais, nem a sentimos mais…    

Por isso, esse texto era sim para te apresentar um lado diferente da música, o lado da ciência, mas acima de tudo era sobre sentir (na prática) o poder da música. Por isso que diferentes momentos do texto você se deparou com diferentes trilhas 😉.  

Se não foi o suficiente para você perceber, tente fazer um exercício simples    

  1. Volte para o início; 
  2. Aperte o play;  
  3. Respire fundo;  
  4. Feche os olhos; 
  5. Se esforce para ouvir a contribuição de cada sonoridade particularmente; 

Voilà!  

Espero que tenhamos dançado a mesma valsa, até a próxima dança!   

 

Produtos Desinchá

 

Por Kauan Coelho 

 

 

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