Não era estresse, era sono

Não sei se todos sabem, mas o escritório da Desinchá fica em São Paulo, próximo à Avenida Paulista. Talvez seja uma das regiões com maior fluxo de pessoas e carros de toda a cidade.

Quem vive por aqui sente isso na pele: fluxo grande de carros e pessoas significa CAOS ABSOLUTO. Somos mais de 12 milhões correndo para todos os cantos. E caso você não more ao lado do seu trabalho, não vai ter jeito. Você será um personagem ativo nos engarrafamentos da cidade.

O paulistano sempre passa a impressão de que não tem tempo pra nada e está atrasado pra tudo. Ou seja: junto com os engarrafamentos, vem muita buzinada, xingamento, barbeiragem e algumas ilegalidades.

Depois de encarar essa guerra diária para ir ao trabalho, voltar e quem sabe ainda dar uma passada em algum outro lugar, seja o banco, academia, restaurante ou a casa de algum parente, você chega em casa (provavelmente depois da meia noite) e não tem força nem pra dar um sorriso. E isso se repete por todos os dias úteis da semana.

Não era estresse, era sono

Isso deve gerar um estresse maldito, certo? ERRADO.

Isso gera cansaço. Nada que uma boa noite de sono não resolva. Recompor as energias é tudo que o corpo precisa para aguentar mais um dia de maratona.

“Estresse” é uma palavra que foi muito banalizada com o tempo. Na verdade, se trata de um mecanismo fisiológico do organismo que nos faz sobreviver milhões de anos até chegarmos aqui, 2019, onde continuamos tentando sobreviver tal qual um homem das cavernas.

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Ou seja: o estresse é uma defesa natural que libera uma série de mediadores químicos, como a popular adrenalina que fez, por exemplo, com que o nosso querido antepassado, diante do perigo, pudesse lutar ou fugir de um predador e continuasse com a evolução da espécie.

Veja, temos até exemplos fofinhos para exemplificar: já viu como fica um gato quando se sente ameaçado? Ele fica com os pelos em pé para parecer maior. E isso é consequência do estresse. Voltando para os humanos: nosso batimento cardíaco acelera, nossa pressão sobe, o sangue é até desviado de algumas partes do corpo para os nossos músculos, para estarem fortalecidos. E quando o estresse passa, você lembra como fica? Tem gente que nem consegue andar. Fica lá com as pernas tremendo, respirando profundamente.

Mas, como sempre, consigo ouvir sua voz me perguntando, caro leitor: “Mas Silvio, essas situações cansativas do cotidiano me causam estresse!”

Causam mesmo. Não no nível que te daria alguma condição para fugir de um leão, mas uma quantidade mínima que é extremamente preocupante. Esses pequenos problemas que passamos em nosso cotidiano provocam um constante aumento na pressão arterial e do número de batimentos cardíacos que, a longo prazo, trarão consequências terríveis para o organismo.

Mulher estressada

O natural é que, com o tempo, nós vamos montando estratégias para driblar essas situações em que estimulamos o estresse em nosso corpo. O problema é quando se aceita essa rotina sem nem pensar. O problema é que, quando você não traça essas estratégias, seu organismo vai reagindo com cada vez mais dificuldade, dando sinais de cansaço cada vez mais rápido. Isso vai afetar desde o sistema imunológico até o nervoso, trazendo consequências para o seu comportamento no dia a dia. Aí é ladeira abaixo: dores musculares, nas costas, na região cervical, alterações de pele, etc. Por isso é muito importante prestar atenção nos sinais que o seu corpo dá.

O importante é ter em mente que ninguém fica estressado de um dia para o outro. É um processo lento que, se você não ficar ligado, acaba não percebendo. Então decore os sinais:

  • Não se levanta com a mesma disposição;

  • Não tem mais a mesma energia para desempenhar tarefas diárias;

  • Se irrita com os outros facilmente;

  • Comportamento fugindo do padrão habitual;

  • Não consegue dormir;

  • Quando dorme, dorme mal e acorda cansado;

Dizem que normalmente quem nota essas coisas é alguém de fora. Temos dificuldade em enxergar as coisas acontecendo conosco nessa rotina maluca. Por isso FIQUE ATENTO.

Isso vale para consultas médicas também! Aposto que você já ouviu um médico dizer algo como “isso aí não é nada, é só emocional”. GENTE: se é emocional, é alguma coisa. E importante!  É esse emocional que pode desencadear futuras doenças e ninguém precisa esperar elas surgirem pra tomar alguma providência. Nessas horas, é sempre bom buscar saber o que pode estar favorecendo o aparecimento dos sintomas. Aquilo que é estressante pra você, pode não significar nada para outro. O tipo de reação que cada um terá tem muito a ver com a genética, o temperamento, até mesmo a personalidade e a maneira como a pessoa percebe as coisas ao seu redor.

Agora veja se você se encaixa nisso aqui (e fique preocupado caso a resposta seja “sim”): a maioria das pessoas estressadas não sabem sentir prazer, que é algo que ameniza demais o impacto do estresse. Pensar no lado positivo das coisas e aproveitar os momentos de lazer ajuda os neurotransmissores a não acabarem com nosso organismo. Nossa qualidade de vida está muito ligada à maneira que encaramos os nossos problemas.

Por exemplo: em determinado momento da nossa vida passamos a nos cobrar demais. Sempre em busca da perfeição, que começa normalmente por exigências de terceiros. É muito difícil que você consiga fazer algo “perfeito” e esse tipo de exigência aumenta o nível de estresse, além de favorecer o vício em drogas, no álcool, os quadros de depressão e ansiedade.

Mas não vim aqui só para apontar seu equívoco ao definir “estresse” e os malefícios desse problema, meu jovem. Aqui na Desinchá buscamos sempre achar soluções saudáveis pra tudo, mesmo que isso ocupe 1 ou 2 míseros parágrafos em um texto com mais de 20.

E vamos logo pra uma solução que nunca ninguém falou pra você antes: faça atividades físicas!

Exercícios ajudam a neutralizar os neurotransmissores que são liberados pelo estresse, graças à maravilhosa endorfina, que nosso corpo produz com facilidade. Mais de 20 minutos fazendo uma atividade e você já terá uma sensação de bem-estar.

Junte isso com boas horas de sono + lazer e pronto, temos um ótimo caminho para melhorarmos o problema tema desse texto.

E nunca se automedique. Seja tomando tranquilizantes, analgésicos ou álcool. Se você não conseguir controlas os níveis de estresse sozinho, procure um profissional.

O mais importante é: o principal passo é identificar o que te causa estresse. Depois, pensar se é possível fazer algo para que isso mude ou até para afastar isso da sua vida. Pode parecer um pouco autoajuda (coisa que eu, particularmente, não gosto), mas é necessário. Se não for pra aproveitar os momentos que temos por aqui, de que vale passar todo esse perrengue?

Siga o mantra do meme do momento: vem tranquilo!

Assinatura Desinchá

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