Perigo: você pode estar abusando do autocontrole

Perigo você pode estar abusando do autocontrole

Imagine que você foi convidado para participar de um experimento sobre “percepção de sabores”. Os pesquisadores pediram que, no dia do teste, você não comesse antes de ir ao laboratório. Você obedeceu.

Chegando lá, com a barriga roncando, você sente um cheiro doce no ar. Os cientistas acabaram de assar uma fornada de cookies de baunilha com gotas de chocolate. Sua boca imediatamente começa a salivar. E lá estão os cookies! Numa vasilha, em cima da mesa, ao lado de… Rabanetes? Sim! Rabanetes!

Os pesquisadores disseram que esses alimentos foram escolhidos por terem sabores radicalmente diferentes. Depois eles separaram o grupo de voluntários. Metade poderia comer os cookies, e metade teria que se contentar com os rabanetes.

Rabanetes e cookies

Na verdade, esse não era um estudo sobre “percepção de sabores”. Era sobre autocontrole!

Quando os voluntários já tinham comido, outro grupo de pesquisadores apareceu para aplicar uma “segunda pesquisa”. Eles pediram que os voluntários resolvessem um quebra-cabeça criado para ser impossível de solucionar.

O que estava sendo observado aqui era: quanto tempo os voluntários persistiriam numa tarefa complicada e frustrante (antes de inevitavelmente desistir)?

Se você estivesse no grupo dos “comedores de cookies”, sua média ficaria em 19 minutos (somando aproximadamente 34 tentativas de resolver o problema).

Já se fizesse parte dos “comedores de rabanetes”, você desistiria depois de apenas 8 minutos (ou 19 tentativas).

Por quê?

A resposta é simples: os “comedores de rabanetes” acabaram com suas reservas de autocontrole.

Nós já falamos aqui que a força de vontade se desgasta ao longo do dia. E vários estudos chegaram a essa mesma conclusão.

No livro Switch - How to Change Things When Change is Hard (em tradução livre: Trocar - Como Mudar as Coisas quando a Mudança é Difícil), os autores comparam os resultados desse experimento que a gente acabou de citar com um exercício na academia. A primeira repetição é fácil, quando seus músculos estão descansados. Mas a cada vez que você faz o mesmo movimento, mais difícil ele fica.

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E o autocontrole não se aplica só a momentos em que a gente precisa “resistir a tentações”. Qualquer atividade que exija monitoramento interno se classifica.

Numa entrevista de emprego, por exemplo, quando você precisa dizer a coisa certa na hora certa… Ou se está aprendendo um passo novo de dança, e seus pés devem se mexer em sintonia com os braços… Até mesmo se você for comprar alguma coisa e tiver que comparar diferentes opções... Parece que tem “alguém” lhe supervisionando. Quer dizer: seu autocontrole está no jogo.

A boa notícia é que a maioria dos nossos comportamentos ao longo do dia não exigem nada disso. Eles são hábitos tão entranhados que viraram automáticos. Ainda bem! Porque ter que se controlar o tempo todo é cansativo demais.

Isso derruba qualquer racionalização de quem compara “falta de autocontrole” com “preguiça”. As duas coisas não poderiam ser mais diferentes!

Então quando você ouvir alguém dizer que tem dificuldade de mudar ou agir diferente, porque é preguiçosa, pegue uma caneta e escreva em letras garrafais na testa dela: NÃO! (Tudo bem, não faça isso)

Mas saiba que a real razão pela qual mudar é difícil é EXAUSTÃO. E isso acontece quando nossa pessoa hipotética usou e abusou do autocontrole.

Como ela fez isso?

Administrando a impressão que causou nos colegas de trabalho (ou nos amigos do novo namorado), lidando com o medo de se expor, persistindo quando algo deu errado, escolhendo uma luminária nova para a casa, controlando quanto gastar, tentando focar em alguma atividade… Etc etc etc.

Tem alguma mudança que você quer implementar na sua vida, mas não está conseguindo? Pode ser que você esteja exigindo demais do seu autocontrole.

Uma das soluções para isso é baixar a barra, avançar passo a passo, criando micro hábitos. Isso também vai te ajudar a ganhar mais clareza sobre para onde você está indo, o que deixa o seu lado racional bem animadinho.

Outra atitude que você pode tomar é colocar outras emoções no comando, como a gente falou nesse outro post.

Por hora, se você está se cobrando demais e ativando seu supervisor interno o tempo inteiro, uma boa pedida é dar uma folga para você mesmo. A gente recomenda curtir um #Desinchá bem quentinho - que vai te envolver como um abraço líquido e acolhedor. 💚
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