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Pirâmide alimentar: seguir ou não?

Pirâmide alimentar: o tipo de coisa que você já deve ter feito em cartolina, com recorte e colagem de alimentos dentro de um triângulo para entregar para a professora do ensino fundamental, #quemnunca? 

Pirâmide alimentar: seguir ou não?

Mas agora falando o nutricionês claro, a primeira pirâmide alimentar foi criada em 1992 para ser uma ferramenta para ajudar e orientar a população brasileira na escolha e seleção dos grupos de alimentos. Com isso, a base da pirâmide seriam os alimentos que você deveria incluir como base da sua alimentacão, e o pico da pirâmide diz respeito aos alimentos que deveriam estar menos presentes na sua dieta.  

Ela é dividida em 8 grupos: 

Pirâmide Alimentar

Como funciona a pirâmide alimentar? 

Na base estão os alimentos energéticos, ricos em carboidratos (massas, pães, cereais e arroz). Acima estão frutas, verduras e legumes que fornecem vitaminas, minerais e fibras para o corpo. No terceiro degrau da pirâmide estão as fontes de proteínas e minerais (carnes, leguminosas, leite e derivados). No topo, encontramos os alimentos que devem ser consumidos com moderação (doces, açúcares, óleos e gorduras), pois são calóricos e podem levar a obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e outras enfermidades. 

Minha opinião? Isso não funciona mais tão bem assim. 

O que a pirâmide fez: determinou que se consumisse muito carboidrato, que as proteínas ficassem num nível intermediário e que se evitasse a ingestão de gorduras. 

 

Em teoria, a divisão dos alimentos na pirâmide faz sentido quando se tem em consideração a recomendação de carboidratos e proteínas (mas nem tanto), por quê? A recomendação da OMS sobre os macronutrientes em uma dieta é a seguinte: 75-55% carboidratos (massas, pães, arroz), 10-30% gorduras e 10-15% proteínas (carnes, ovos, laticínios). O que fazendo a conta, realmente os carboidratos ficariam na base da dieta por terem uma porcentagem maior da recomendação. Mas para se atingir a proteína e principalmente a gordura, a pirâmide teria que mudar. 

 

Qual o problema da pirâmide alimentar? 

Sem uma orientação, principalmente sem a definição de quantidade e tamanho das porções, a pirâmide pode induzir a erros. Como? Ao ver essa pirâmide, a pessoa induz basear a dieta dela em massas e carboidratos que normalmente não são os com mais fibras ou integrais, esquecem também das gorduras boas como azeite de oliva, ou alimentos como abacate ou as oleaginosas por estarem no pico da pirâmide. 

O problema não é só a pirâmide, e sim como as pessoas a interpretam. 

Outro ponto que deve ser considerado é que a pirâmide também não leva em consideração os alimentos em conjunto, por exemplo: ok nutri, mas e a torta de frango? E o arroz com feijão? Ou seja, a junção de dois grupos alimentares como carboidratos e proteínas não estar na pirâmide faz com que seja uma confusão a mais. 

Outra confusão que é feita? A posição dos alimentos na pirâmide. Em um estudo com um levantamento de 898 consumidores deixou claro que algumas pessoas pensavam que os alimentos do topo eram os prioritários, e que os da base deveriam ser evitados. Essa interpretação apareceu em outros estudos. Ou seja, a base da alimentação seriam os doces e gorduras… loucura, né? 

Por essas e por outras, o FDA (Food and Drug Administration), órgão governamental dos Estados Unidos que controla alimentos e medicamentos, decidiu que o esquema precisava ser definido com mais clareza. E a pirâmide foi transformada em várias outras.  

Em alguns países, a pirâmide caiu em desuso, mas não a lógica de separar os alimentos por macro e micronutrientes. 

 

Pirâmide Alimentar de Harvard 

Tá aí uma pirâmide que eu já consigo concordar um pouco mais! Especialistas da Escola de Saúde Pública de Harvard chegaram à conclusão que a pirâmide usada não diminuía riscos das doenças crônicas e da obesidade e resolveram alterar alguns erros que a mesma possuía. Ela foi batizada de Healthy Eating Pyramid (Pirâmide da Alimentação Saudável) e traz boas recomendações para um estilo de vida mais saudável, que não engloba só a alimentação, mas sim, bons hábitos também.  

Conseguem ver a diferença de uma pirâmide para outra? Esta, além de coloca o exercício físico, a hidratação e o controle do peso como base, também dá a importância aos carboidratos complexos (cerais integrais, ricos em fibras) e não só massas e pães. Além disso os óleos deixaram de ficar no pico da pirâmide para se manter na base, como óleos vegetais saudáveis, que não podem deixar de estar na nossa alimentação também, desde que sejam gorduras boas. 

Mesmo assim, eu como nutricionista, ainda fico com uma pulga atrás da orelha com essas pirâmides. Não acredito que as pessoas devam seguir algum tipo de dieta ou padrão pré-determinado de alimentação, afinal, cada caso é um caso. Portanto, tudo que é generalizado, precisa ser analisado com cautela. A pirâmide é uma ferramenta de educação nutricional, então vale lembrar que as necessidades nutricionais de cada um devem ser calculadas de forma individualizada e personalizada, levando em consideração: o estado nutricional, contexto social e econômico, necessidades individualizadas de nutrientes, ideologias e religiões e muito mais. Como vocês bem sabem: cada ser humano é único! 

Seguindo esse raciocínio, no final de 2014 o Ministério da Saúde publicou o Guia Alimentar para a População Brasileira. A orientação-chave é fazer de alimentos in natura e minimamente processados a base da dieta, e evitar ultraprocessados, mostrando a importância não somente de conhecer seus macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras), mas sim de onde eles vem e como eles vem parar no seu prato. 

Mesmo tantos (muitos mesmos) métodos de educação alimentar e nutricional, todas as pirâmides e guias ainda não atendem a orientação personalizada que cada um merece. Cada pessoa se adapta a um tipo de orientação. Alguns gostam de tudo muito bem detalhado e seguem à risca a dieta proposta pelo nutricionista. Outros preferem ter à mão opções de substituições. Não basta dizer “coma alimentos saudáveis”. É importante trabalhar o conceito dos alimentos, orientando sobre o consumo regular dos saudáveis e suas quantidades, mas permitindo uma pequena parcela de permissões. Afinal, alimentação também envolve prazer, não é mesmo? 

Então no final das contas vocês vão me perguntar: então nutri, seguir ou não seguir a pirâmide alimentar? 

Minha resposta é: não se prenda a nada que for generalizado, procure orientação individualizada de um nutricionista ou médico para que você tenha a dieta certa para o seu estilo de vida, para sua rotina e seu estado nutricional. 

Vamos deixar a pirâmide para o recorte e colagem da escola? 😉  

 

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