Produtos light e a epidemia de diabetes juvenil

Vendo notícias e dados sobre o mundo, é possível perceber que existe um paradoxo um pouco assustador quando pensamos em saúde e bem-estar: apesar de estarmos mais “saudáveis” do que nunca consumindo alimentos, frequentando as incontáveis academias espalhadas por aí, vendo diversos programas sobre o tema ocuparem cada vez mais espaço na mídia, entre outras coisas, nunca fomos tão doentes. Vamos usar os Estados Unidos como exemplo (já que as tendências, normalmente, chegam primeiro lá): entre o ano de 1980 e 2000, período de crescente aumento da obsessão por perder peso, duplicaram o número de academias no país, além das prateleiras de supermercados terem se enchido de produtos “naturais”, “saudáveis” e “light”. E o pior: a estratégia sempre foi culpar a gula e o sedentarismo das pessoas.  

Mas, se olharmos para o mesmo período em que “ser saudável” começou a ser um produto de sucesso nos EUA, vemos uma evolução gigantesca, quase simultânea, da obesidade e da diabetes no país. Entre 1980 e 2010, o número de casos de diabetes juvenil saiu de ZERO para quase 60 MIL CASOS (!!!!!!!).  

O documentário “Fed Up” (está no Netflix) vai a fundo nesse tema e traz informações que são chocantes, principalmente sobre os produtos que compramos nos mercados.

Produtos light e a epidemia de diabetes juvenil

LIGHT PRA QUEM?  

No documentário, especialistas da área são entrevistados para desmistificar os produtos saudáveis do mercado, principalmente os intitulados “light”: quando se reduz o percentual de gordura de um alimento, perde-se também o sabor. Então qual a solução que a indústria encontrou para que as coisas continuassem “gostosas”? Encher o produto de açúcar. E ainda se aproveitam da falta de informação das pessoas para fazer isso passar despercebido. Por exemplo: poucas pessoas imaginam que um molho para salada virá cheio de açúcar.  

O que vimos nas últimas décadas foi uma crescente legião de cidadãos frustrados se culpando por não conseguirem emagrecer, por acharem que estão fazendo o certo quando, na verdade, só estão sendo enganados. Afinal, mais ou menos 80% dos produtos industrializados dos EUA possuem açúcar.  

 

BONDE SEM FREIO 

Se algo não for feito para mudar esse cenário, em duas décadas 95% da população americana terá sobrepenso e 1 a cada 3 pessoas do país terá diabetes. Lá, o número de mortes por obesidade já é maior do que o número de mortes por desnutrição.  

 

A CONSEQUÊNCIA DA FALTA DE INFORMAÇÃO 

O povo americano já não tem mais a capacidade de identificar o que é comida de verdade. Milhões de pessoas se alimentam diariamente de processados, modificados, industrializados e conservados em sal para ficarem mais tempo nas prateleiras dos supermercados. As habilidades de fazer seu próprio alimento foram praticamente extintas por lá. Pouco se usa o fogão, o forno, verduras, legumes e alimentos integrais.   

Toda essa cultura americana é exportada para o mundo ocidental de uma maneira geral. E sabemos que o brasileiro também está passando pelo mesmo problema de obesidade e diabetes por má alimentação. Os produtos light, sempre a primeira opção para quem quer “se alimentar melhor” (propositalmente com poucas informações), estão nos envenenando tanto quanto os originais. E muitas vezes são mais caros. 

 

A SOLUÇÃO PASSA POR UMA ALIMENTAÇÃO SEM RÓTULOS 

Se quisermos evitar o mesmo destino nutricional dos EUA, a solução, em grande parte, passa por darmos alguns passos pra trás na industrialização dos alimentos: precisamos voltar a consumir as coisas frescas que a natureza nos proporciona. Voltar a nos relacionar também com o fogo, o tempo, o preparo, a criatividade. 

Não é fácil mudar nossos padrões de alimentação. Pior ainda é deixar de comer coisas que gostamos demais, mas isso não precisa ser uma tortura. Já falamos sobre como nos alimentarmos de uma maneira verdadeiramente saudável em vários posts desse blog, então aqui vão alguns:  

 

Comer também é um ato político. Como consumimos nossos alimentos diz muito sobre qual caminho de sociedade queremos seguir. E já vimos o que está se tornando a sociedade dos produtos light. Cozinhar é um luxo de quem tem tempo, mas abrir mão desse tempo pode nos custar a saúde da população.  

Assinatura Desinchá

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