O que falta para recuperarmos nosso amor próprio?

Acho que já falei sobre recentemente isso aqui no blog, mas acho bom reforçar: considero o nível do conteúdo que aparece no Google, quando digitamos a palavra-chave, proporcional a relevância ou atenção que damos para o tema.  O tema, naquele post, era autoestima. E hoje o texto é sobre um muito similar: o amor próprio.  

Além de ser similar em significado, também é similar quando vemos o resultado das buscas na internet por essa palavra: tudo muito superficial. O que se vê são páginas e mais páginas de “dicas para ter amor próprio” e “frases sobre amor próprio”, além de uma música do Aviões do Forró no meio dessas outras: 

“Meu amor próprio 
É tão grande que não cabe em você 
Caia fora 
Sua chance, chance 
Chance, chance 
É tão pequena, não vale a pena.” 

Até nosso querido grupo de forró foi impreciso com relação ao amor próprio e confundiu com puro narcisismo. 

Em uma época onde a autoajuda continua dominando os livros mais vendidos e nos contentamos com explicações feitas por memes, se faz importante abrir o tema e mostrar diferentes pontos de vista. Essa expressão “amor próprio” está em alta em lugares como o Youtube e o Instagram, talvez pelo fato do nosso culto à imagem estar mais evidente do que nunca com a popularidade dessas redes. Mas são as pessoas famosas por seus belos corpos e bombardeadas o dia inteiro com elogios que mais tratam sobre o amor próprio. Aí talvez esteja o primeiro erro: estamos ouvindo um pequeno nicho com um determinado padrão de corpo e, mais ainda, um padrão socioeconômico praticamente inalcançáveis falando sobre como conseguiram se aceitar e se amar muito.  

O que falta para recuperarmos nosso amor próprio?

Como pode dar certo seguir conselhos tão pessoais de pessoas que possuem uma realidade tão distante da nossa? Raramente se vê alguém levando em conta o contexto e as peculiaridades do universo de cada um. Se espelhar em alguém que faz parte daquele 1% famosíssimo que nunca vai passar nem 1 segundo passando pelas mesmas situações do cotidiano que nós, pode trazer um efeito contrário ao do amor próprio. 

Então vou começar tentando explicar o significado dessa expressão. O site Significados define “amor próprio” da seguinte maneira: 

“O amor próprio é o amor que as pessoas têm por si mesmas. Muitas vezes as pessoas, por causa de fraquezas antigas, de crises mais recentes, não conseguem defender seus interesses para satisfazer suas necessidades. É um grande tema da psicologia e da psicanálise, já que faz parte do cotidiano dos profissionais destas áreas. 

Quem se ama de verdade, procura possuir controle emocional, procura compreender as pessoas, estar sempre, ou a maior parte do tempo, de bem com a vida e esquecer a opinião alheia, não guarda raiva, rancor, está sempre disposto a perdoar e ter coragem, confiança e segurança para recomeçar.” 

Já no primeiro parágrafo dessa definição, conseguimos ter uma base mais sólida tanto sobre o que é amor próprio, quanto o que causa a falta de amor próprio.  

E é exatamente nessa causa que quero focar: não adianta nada assistir 5 mil vídeos com dicas sobre amor próprio, se nenhuma dessas pessoas que propõe esse tipo de ajuda sabem pelo que você passa. ”Fraquezas antigas” e “crises recentes” são pontos que poucos se atentam.  

Em um dos poucos vídeos no Youtube que conseguem tratar o tema com a seriedade que ele merece, a Monja Coen explica:  

“Existem causas e condições para pessoas que têm baixa autoestima. Tem coisas haver com a gestação: como foi o seu processo de gestação dentro do útero materno; como foi o seu nascimento; como foram suas experiências quando bebê e na infância. Tudo isso vai nos marcando profundamente. Algumas pessoas foram muito estimuladas amorosa e positivamente pela família“. 

E continua: “Como é que nós, como adultos, podemos olhar esse nosso passado e os estímulos recebemos? Você sente que as pessoas não gostam de você? Você sente que é menos do que alguém? É porque você ainda está comparando. Deixe de lado suas comparações: você é quem você é. Resultado de todas essas experiências, inclusive da ancestralidade.”   

Resumidamente, a popular monja mostra como a psicologia é importante nesse processo de amor próprio. Somos o que somos pelas experiências que tivemos e por tudo a que fomos expostos. As pessoas processam o amor de maneiras diferentes por compreenderem o amor através dos diferentes estímulos a que foram apresentadas. E esse é um dos motivos pelo qual as dicas genéricas não fazem sentido para a maior parte dos mortais.  

Mas estímulos de afeto do passado não são os únicos que ajudam a entender sobre como lidamos com a percepção sobre nós mesmos. O jeito que tratamos o nosso corpo no presente também afeta a maneira como enxergamos as coisas, mais precisamente através da alimentação.  

Quando comemos de maneira saudável, priorizando alimentos naturais e nutritivos, estamos cuidando não só do nosso corpo, mas também da nossa mente. E quem trata esse tema de uma maneira madura e facilmente compreensível, no meio de tanta superficialidade na internet, é a Gabriela Pugliesi.  

Em um vídeo do seu canal no Youtube “Vendi Meu Sofá com Gabriela Pugliesi”, intitulado “Amor próprio: a relação do meu corpo com a minha felicidade”, Pugliesi diz:  

“Eu não me alimento bem e nem treino para ficar musculosona, sarada. Eu me alimento bem para ser feliz. Eu treino porque eu gosto, tenho prazer com a sensação. Tenho uma alimentação cada vez mais natural, no sentido de comer comida de verdade e coisas que me fazem bem, que me deixam feliz. É impressionante como eu vejo que, cada vez mais, quanto mais eu me alimento bem, principalmente vegetais, frutas e verduras (que é o que eu mais amo) eu fico feliz e leve espiritualmente. Minha energia fica mais leve, eu fico muito mais disposta e fico muito mais bem-humorada.”  

A relação do efeito da alimentação sob o nosso corpo com o amor próprio é percebida em outra parte do vídeo: “Hoje, nada me faz mais feliz do que acordar com disposição, com saúde para fazer as minhas coisas, feliz de cabeça. E meu corpo sorri, porque ele responde a isso. Um estilo de vida saudável, pra mim, hoje, tem a ver com como que eu estou espiritualmente. E isso vem muito do que eu colo na minha boca e no meu corpo. É muito básico isso: o nosso corpo é a nossa casa, então tudo o que você come, o corpo absorve. As vezes bem, as vezes não. Então quando mais nutrientes maravilhosos a gente manda para o nosso corpo, mais feliz ele fica. E isso reflete em tudo: na estética, na pele, no cabelo, no estado de espírito.” 

Ou seja, a maneira como enxergamos as coisas está diretamente ligada a maneira como tratamos nosso corpo.  

Mas afinal, qual é a conclusão que se tira de tudo isso?  

Que para ter amor próprio, primeiramente, é necessário entender que a história de cada um é única, então as maneiras de lidar com isso também são. Mas que para lidar da melhor maneira possível, algumas coisas são indispensáveis: conhecer a sua história, o seu passado e entender que os estímulos que recebeu e as relações que teve durante a sua formação moldam a sua percepção sobre você mesmo e o outro. Sabendo quem você é, fica muito mais simples de saber quem você quer ser.  

Outro ponto é: a maneira como você estimula seu corpo e mente altera completamente a maneira como lidamos conosco e com o ambiente em que estamos inseridos. Ter uma vida saudável, com uma alimentação natural e nutritiva, além de fazer exercícios e ter momentos bem aproveitados de lazer faz com que você perceba as coisas de uma maneira muito mais leve e positiva. E, obviamente, isso vai mudar completamente sua visão sobre as coisas, inclusive sobre você mesmo.  

Amor próprio é conhecer e cuidar de você tanto quanto você conhece e quer cuidar de quem ama.  

 

*Lembrando que o que escrevemos no blog não reflete opiniões da empresa, ok? Assinatura Desinchá

 

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