Rinite alérgica: como controlar a doença que não tem cura

O tema desse texto é algo que infelizmente, eu entendo MUITO bem. A minha rinite alérgica foi diagnosticada quando eu tinha 1 ano de idade, descobrimos minha doença crônica quando o meu nariz começou a congestionar com frequência e eu comecei a ter dificuldades para respirar. 

Desde então, pode se dizer que a minha vida virou um “inferno”. E não, essa palavra não é forte demais para retratar meus problemas com as crises de rinite, e eu posso provar. 

Gatinho espirrando

Como minha rinite se manifestou quando eu era bem pequena, meu melhor amigo durante a minha vida inteira foram os lenços de papel. Eu precisava ter um lencinho em cada bolsa, mochila de escola, casaco ou bolso da calça, afinal, o nariz escorre o tempo inteiro. 

E convenhamos, rinite é uma caixinha de surpresas, você nunca sabe quando terá uma crise de espirros e ficará igual ao gatinho acima.  

E não duvide da capacidade de uma pessoa “rinituosa” (nome que eu dei para pessoas que possuem mais rinite do que alma dentro do corpo) de espirrar incessantemente, meu recorde de espirros seguidos foram 28, eu contei. 

Mas voltando para meus problemas com a rinite: eu era uma criança que adorava dormir na casa dos amiguinhos, ou acampar com meu grupo de escoteiros (minha mãe acreditava que mais ar livre poderia melhorar minha alergia respiratória). 

Enfim, toda vez que eu ia dormir fora de casa – não sei por que falei dormir fora de casa, em casa acontecia a mesma coisa – meu nariz ficava 100% entupido. E quando o nariz de alguém fica entupido, o que ela faz? Exatamente, respira pela boca. E sabe o que acontece durante o sono com uma pessoa que respira pela boca? Ela ronca. 

Você já experimentou tentar dormir perto de alguém que ronca como um motor de trator? Pois então, dá vontade de dar três travesseiradas na cara da pessoa. Mas o que eu poderia fazer? Eu não tinha culpa, afinal. 

O que eu fazia que ajudava a amenizar minhas noites mal dormidas era pegar um pano úmido e colocar sob o nariz para tentar aliviar a congestão nasal. Aparentemente, o pano úmido impede que os ácaros façam festa dentro de suas vias nasais e faz com que o nariz descongestione o suficiente para você conseguir dormir. 

Outra coisa: você já experimentou ficar em um lugar silencioso junto com uma pessoa que tem rinite? Sabe quantas fungadas por minuto uma pessoa com rinite dá? No mínimo três. 

Acredito que bater o dedo mindinho na quina do móvel é menos doloroso do que a humilhação de ter que fazer uma prova com a rinite atacada. Um lugar totalmente silencioso, com pessoas se concentrando ao máximo para de repente… atchim. 

Enquanto todos tentam fazer a prova em um ambiente quieto, você está espirrando, fungando o nariz sem parar e assoando para ver se consegue voltar a respirar. Definitivamente uma morte lenta e dolorosa. 

Mas rinite tem cura? – Olha, eu fui atrás de diversos médicos para tentar melhorar minha situação, tanto que fiz minha primeira cirurgia aos 5 anos de idade. A questão é que rinite alérgica não tem cura não. 

Eu tomei anti histamínicos durante 8 anos (o famoso loratadina e rinossoro ou como alguns preferem, anti alérgicos), todos os dias, mas acontece que o remédio parou de fazer efeito no meu organismo, e era igual chupar bala, não mudava nada. 

Eu convivi com minha rinite precária dessa forma até janeiro de 2019, quando por uma brincadeira de família eu descobri que havia uma forma de diminuir os efeitos do meu problema. E caso você tenha lido o texto Como seria passar 24 horas com a sua nutricionista você sabe muito bem que brincadeira foi essa. 

Mas antes que eu te conte o super segredo de como amenizei minhas crises, é justo que você saiba o que pode fazer com que sua alergia piore consideravelmente. 

Primeiramente, existem vários tipos de rinite, sendo as principais a rinite alérgica e a rinite infecciosa

rinite infecciosa é aquela normalmente causada por gripe e resfriado, demora um pouquinho para passar, mas passa. 

Já a rinite alérgica (que é a minha) não tem cura e normalmente é causada por cheiros, poluição e alimentos – ou seja, o fato de você respirar, já faz com que sua rinite ataque. 

Sendo mais específica ainda: a rinite alérgica pode ser causada por produtos de limpeza, odores fortes (como perfume), roupas de cama (é o lugar onde os ácaros e poeiras acham que podem se instalar), pelos de animais e alimentos como queijo, leite e seus derivados. 

Um dos sintomas da rinite quando ela ataca por algum desses motivos, além de ter aquela indecisão de se fica com aquela mucosa nasal ou fica escorrendo, é que pode causar muitas dores de cabeça. 

Na maioria das vezes, a rinite alérgica é controlável, porém, em casos como o meu, é preciso outros tipos de atitude. 

Como essa doença crônica é causada por um vírus, as vezes alguns alimentos que você come podem fazer com que esse vírus se manifeste ainda mais, causando a tal reação alérgica. 

O que nos leva novamente a grande questão: o que eu fiz para diminuir minhas crises alérgicas? 

No meu período de três meses de reeducação alimentar, eu cortei algumas coisas do meu cardápio como fast-foods, doces, e parei de tomar o meu maior vício (e o maior veneno para pessoas com rinite), leite

Eu chegava a tomar quase 1 litro de leite POR DIA. Sim, isso é muita coisa. E foi por isso que eu comecei a diminuir esse alimento da minha rotina até não sentir mais falta e parar de tomar de vez. 

Essas três coisinhas, que eu consumia bastante, são muito prejudiciais. Em 20 anos convivendo com a rinite, mudar minha alimentação foi mais eficaz do que os anos que fiquei tomando remédios ou fazendo cirurgia para desobstruir minhas vias nasais. 

Por isso, vou te mostrar alimentos que você pode cortar para efetuar o tratamento da rinite, e coisas pequenas para fazer com que a coriza, espirros e nariz congestionados não sejam um inferno na sua vida, como foi comigo. 

Rinite alérgica: como controlar a doença que não tem cura

Alimentos que alimentam sua rinite: 

Trigo e cereais: a farinha de trigo, milho, aveia, centeio e cevada contêm partículas que, quando inaladas, podem atacar sua rinite. Além disso, possui glúten, o que faz com que aumente a produção de muco. 

Doces: principalmente os produtos feitos com chocolate, que contêm ingredientes potencialmente alergênicos, como leite, soja, nozes e amendoim, podem irritar e inflamar a mucosa nasal. 

Bebidas alcóolicas: provocam vasodilatação e obstrução nasal. 

Leites e derivados: os laticínios contêm uma proteína chamada caseína, que deixa o muco mais espesso, dificultando a melhora no caso de doenças respiratórias. 

Alimentos industrializados: fast-foods, enlatados, embutidos e outras coisinhas desse tipo contêm nitritos, sulfitos, conservantes e corantes, itens que pioram os quadros alérgicos e problemas respiratórios. 

 

Alimentos ideais para pessoas que possuem rinite alérgica: 

Água: ela hidrata todo o organismo, inclusive as vias aéreas, ajudando a fluidificar as secreções e lubrificar as mucosas. 
 
Grãos e sementes: castanhas, sementes de linhaça, de girassol, entre outros grãos, contêm flavonoides. Esta substância possui efeito anti-inflamatório e emoliente (hidratante). 
 
Chás: também contêm flavonoides e ajudam no tratamento da rinite – já vou até deixar o link de um chá perfeito para isso

Peixes: atum, salmão e sardinha são alimentos ricos em ômega-3, um nutriente que protege as vias aéreas e ajuda a combater inflamações. 
 
Frutas cítricas: ricas em antioxidantes, auxiliam no fortalecimento do sistema imunológico, prevenindo gripes e resfriados. 
 
Vegetais e frutas: brócolis, vagem e vegetais verde escuros contêm clorofila, um poderoso antioxidante, propriedade também presente na cenoura, acerola, manga e abóbora (por conter carotenoides). 
 
Alho e cebola: estes alimentos devem sempre ser usados como temperos, pois contêm enzimas que combatem infecções por bactérias, vírus e fungos. 
 
Abacaxi: possui bromelina, uma substância que reduz a inflamação e diminui a congestão das vias nasais. 
 
Gengibre: está presente em muitos remédios para gripes e resfriados, graças à sua ação adstringente e expectorante. 
 
Mel: o “queridinho” para combater problemas respiratórios por possuir propriedades bactericidas, anti-inflamatórias e fungicidas, além de ajudar na expectoração. 

 
Dicas de como sobreviver sendo refém da rinite: 

  1. Lembre-se de que prevenir é o melhor remédio. Por isso, todo o cuidado na limpeza da casa para diminuir a proliferação dos ácaros é pouco; 
  2. FUJA de vassouras e espanadores. Opte por aspiradores com filtro e use um pano úmido para remover o pó dos móveis e do chão; 
  3. Use máscaras quando a faxina dos armários e das estantes de livros ficar por sua conta; 
  4. Mantenha os ambientes arejados e expostos ao sol durante a maior parte do tempo; 
  5. Escolha um estilo de decoração que dispense o uso de cortinas, carpetes, tapetes, almofadas ou de outros objetos que possam acumular poeira difícil de remover; 
  6. Lave as roupas de cama pelo menos uma vez por semana e as roupas guardadas há algum tempo antes de usá-las novamente; 
  7. Adote um estilo de vida saudável. Pratique atividade física, não fume, beba com moderação e alimente-se adequadamente. Se, por acaso, algum alimento for responsável por desencadear as crises, elimine-o da sua dieta. 

 

Então é isso! Rinite é uma droga? Com certeza. Mas você não precisa ficar à mercê da sua doença.  

Mudar alguns hábitos vale a pena para que se consiga viver da melhor forma e com saúde, né?! 

Assinatura Desinchá  

 

Bibliografia: 

Dráuzio Varella | Minha vida | Revista encontro | 

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